Por que esta exposição só podia começar aqui
Esta primeira exposição não poderia acontecer em nenhum outro lugar. Entre Coronado e Fátima existe um laço histórico e espiritual que poucos conhecem, mas que eu sinto profundamente. Não é uma coincidência — é uma convergência de pessoas, de lugares e de fé que atravessa mais de um século.
Coronado e Fátima, unidos pela fé e pela madeira
Foi em Coronado que José Ferreira Thedim esculpiu a primeira imagem de Nossa Senhora de Fátima — aquela que hoje o mundo venera na Capelinha das Aparições. A imagem que nasceu nestas mãos nortenhas tornou-se o rosto universal de uma devoção que se espalhou por todos os continentes.
Após as aparições de 1917, era nomeado Bispo de Leiria D. José Correia da Silva, natural de S. Pedro Fins — terra vizinha de Coronado. Foi ele quem acompanhou de perto o processo de reconhecimento oficial do milagre pela Igreja Católica, dando à mensagem de Fátima a legitimidade que a levaria ao mundo inteiro.
D. Serafim Ferreira e Silva — clérigo que em jovem conviveu de perto com os dois grandes mestres de Coronado, José Ferreira Thedim e Avelino Moreira Vinhas — viria a ser nomeado Bispo de Leiria-Fátima. O seu apostolado foi marcado por uma ação exemplar na difusão da fé cristã e da mensagem de Fátima.
Em 1996, coube-lhe a missão de entregar ao Cardeal de Moscovo uma imagem de Nossa Senhora de Fátima — cumprindo, simbolicamente, o pedido que ela própria fizera aos pastorinhos: contribuir para a conversão da Rússia.
O gesto que confirmou tudo
Quando pensei nesta exposição, fui visitar D. Serafim à Casa de N. Sra. do Carmo, onde ainda reside. Mostrei-lhe, pelo telemóvel, algumas das esculturas que havia criado. O incentivo que recebi foi caloroso e imediato.
Este gesto confirmou o que já sentia: era aqui, em Fátima, que devia começar.
Atrevo-me a encontrar uma simbiose entre Fátima e Coronado que vai muito além da geografia. A imagem venerada nasceu aqui, o bispo que a reconheceu era daqui, e o prelado que levou a mensagem até Moscovo cresceu entre as mesmas oficinas onde o meu pai passava os seus dias. Cada escultura que apresento nesta exposição carrega um pouco de tudo isso.